Filmes e Fotografias

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Frans Krajcberg, novembro de  2011

Frans Krajcberg encontra na fotografia uma maneira de cumprir sua missão artística com uma arma muito mais poderosa do que apenas a estética. Seu depoimento é indiscutível e pode ser reproduzido indefinidamente. Ele não se considera fotógrafo, apesar da alta qualidade de suas imagens. A foto é a ferramenta ideal para denunciar a tragédia que se desenrola: a destruição da natureza, a imagem congelada de um mundo que está desaparecendo para sempre.

 

Atrás das lentes, Frans Krajcberg conserva intacta sua força de encantamento, os olhos e uma alma em permanente alerta. Todos os dias, ele trabalha seu olhar artístico e alimenta sua “revolta” fotografando incansavelmente os detalhes desta natureza que o fascina e cuja força de resistência admira. A foto tornou-se essencial para ele alertar e transmitir em grande escala sua mensagem às gerações futuras.

Pierre Restany, no Manifesto do Rio Negro, evoca a humildade e a disponibilidade do seu olhar de fotógrafo:“Praticar essa disponibilidade em relação ao dado natural é admitir a modéstia da percepção humana e seus próprios limites, em relação a um todo que é um fim em si mesmo. Essa disciplina na consciência de seus próprios limites é a primeira qualidade do bom repórter .”

Milhares de fotos tiradas por Frans Krajcberg mostram a natureza deliberadamente destruída pelo homem. O fogo é uma “realidade” cuja ação destrutiva é irrecuperável. As imagens não revelam apenas o horror, mas também confrontam a beleza da natureza e seu desaparecimento; a diversidade de cores das terras de Minas Gerais e a negritude das queimadas do Paraná; a magia e a transparência das pedras indestrutíveis e a duração efêmera de uma flor; a fragilidade de uma jovem muda e as cinzas de uma árvore milenar.

 

A técnica de macrofotografia que ele usa, resulta em imagens impressionantes que revelam a menor partícula em movimento: as nervuras de uma folha, o pistilo de uma flor, a textura de uma terra, o caminho de pequenos animais e insetos, os rastros de uma cobra no chão, o labirinto de uma teia de aranha, a transparência da pele de uma larva ...

 

Mais raros, os seus filmes permitem-lhe captar movimentos da vida em câmara lenta, quase imóvel, um olhar fascinado a acompanhar a mais ínfima emoção. Sua câmera oferece a ele uma nova ferramenta para capturar os movimentos imperceptíveis da água, do vento ou da luz. Sob seus olhos aparecem obras pictóricas, muitas vezes abstratas, de beleza plástica perfeitamente dominada.

 

Filmes e fotografias magnificam a vida mesmo quando as imagens testemunham a destruição: as árvores perderam sua verticalidade original para formar uma nova paisagem; terras brancas - produto da queima - tomaram o lugar de extensões verdejantes... o mundo das plantas se transformou em um mundo mineral, esvaziado de toda substância animal ... mas uma folha emerge, uma flor renasce ... no meio de cinzas ... a vida reaparece, infinitamente frágil e bela.

 

Frans Krajcberg, mais uma vez, opta por se levantar, revelar para provar e resistir.

 

Meu trabalho é um manifesto. Não sei escrever, não sou político ... Devo encontrar a imagem que caracteriza meu grito de revolta. A foto me ajudou a capturar o momento de beleza, de destruição, de registrar o que está desaparecendo.