Queimadas

Para Frans Krajcberg, seu trabalho é um manifesto permanente : “Não sei escrever, não sou político ... Devo encontrar a imagem que caracterize meu grito de revolta. A foto ajudou-me a captar o momento de beleza, de destruição, a registar o que desaparece ... Eu sou um homem queimado. O fogo é a morte, o abismo. O fogo sempre esteve comigo. Minha mensagem é trágica. Eu mostro o crime .”

 

O trabalho fotográfico de Frans Krajcberg sobre o desmatamento na Amazônia é sua forma de exorcizar os traumas da guerra em que perdeu toda a família. Seu depoimento é brutal, intencionalmente chocante, às vezes executado com risco de sua vida - ele recebeu várias ameaças de morte.

 

Suas fotos de árvores em chamas, retorcidas, brilhantes, meio em cinzas, denunciam e mostram o que nós recusamos a ver. No entanto, elas continuam a ser portadoras de esperança para aqueles que abrem seus olhos. No meio das cinzas que cobrem o solo surge uma raiz, um embrião de samambaia ou uma delicada flor, promessa de renascimento.

 

Estamos perante um discurso poderoso que nos revela, sem renúncia, a violência de que somos capazes contra a natureza. Krajcberg é um pedagogo, ele nos transmite através de suas obras um ensinamento decisivo para todos nós: não há futuro sem equilíbrio, sem contrato natural”, enfatiza Juliano Souza Matos.